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19 de Agosto de 2022

Polícia Militar confunde pipoca com drogas e mata jovem

Segundo testemunhas, policiais confundiram saco de pipoca com drogas. Batalhão diz que ele foi atingido durante troca de tiros com traficantes.

Wagner Francesco ⚖, Advogado
Publicado por Wagner Francesco ⚖
há 6 anos

Policia Militar confunde pipoca com drogas e matam jovem

A noite de quinta-feira (30) foi violenta no Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Um adolescente de 16 anos morreu depois de levar um tiro na cabeça. Os moradores acusam PMs de terem confundido um saco de pipoca com drogas. A PM diz que o jovem foi atingido durante uma troca de tiros com traficantes.

Jhonata Dalber Matos Alves tinha 16 anos e vivia no Morro do Borel, que tem uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde 2010. Testemunhas acusaram os PMs de terem matado o jovem sem motivo.

“Jhonata chegou, pegou o saco de pipoca e, simples, desceu. Assim que ele desceu começou o tiro. Deram um tiro primeiro, que eu acho que foi a hora que pegou nele, e começou o pessoal a gritar. Eles começaram a dar um tiro atrás do outro. Não foi troca de tiros. Foi eles, só os 'polícia' dando tiro. Não tinha bandido, não tinha ninguém na hora”, contou um morador, que não quis se identificar.

Já o comando do 6º BPM (Tijuca) disse que Jhonata foi atingido durante um tiroteio entre PMs e traficantes. Ele levou um tiro na cabeça, foi levado para o Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte. Mas a família disse que ele já chegou morto.

Até o início da madrugada desta sexta-feira (1º), o policiamento foi reforçado na porta do hospital. Os moradores da favela ficaram revoltados com a morte do adolescente.

Nas redes sociais, tinham vários relatos sobre o que aconteceu. "Clima tenso no entorno do Morro do Borel. Policiais da UPP balearam um rapaz na cabeça que veio a óbito”.

Testemunhas contaram que algumas pessoas tacaram fogo em montanhas de lixo na Rua São Miguel, que margeia o morro, e jogaram pedras em policiais. A PM interditou essa rua e uma parte da Rua Conde de Bonfim, uma das principais da Tijuca. O Batalhão de Choque foi chamado para reforçar a segurança no bairro.

O comando da UPP Borel informou ao G1 que a informação de que os policiais confundiram um saco de pipoca com drogas"não procede". Ainda de acordo com a UPP, um homem foi baleado durante o episódio e foi socorrido pelos policiais para o Hospital do Andaraí.

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37 Comentários

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Vidas humanas são vidas humanas. Realmente não importa onde. Mas ainda me sinto confuso, com uma sensação de perda de referenciais, mesmo como Bioeticista e docente de Medicina Legal.
Deixei a sala de necropsia agora há pouco. Um homem de 46 anos foi morto com um tiro no rosto. Tentativa de assalto. Nada foi levado. Estava organizando um local de trabalho para complementar a renda familiar. Poderia ser qualquer um de nós. Mas era um Policial Militar. Que morreu sem que o resto do país soubesse. E por nada. Nada foi levado. Uma tentativa frustrada de assalto.
Não virou notícia nacional.
Somos todos humanos estamos expostos à violência em todas as esferas. Na era de opiniões extremistas na internet, de intolerância à opiniões distintas, todas as generalizações são perigosas.
Utilizando do princípio da alteridade, coloco-me na posição das famílias dessas duas vítimas.
Acredito que indignação, raiva, desespero sejam comuns. Desejo de justiça também.
Mas acredito que pelos princípios da justiça e da equidade, ambas as mortes mereceriam a mesma indignação. A mesma tristeza. O mesmo respeito.
Volto a questionar: Por quê uma virou notícia nacional e outra não?

Estamos nos transformando numa sociedade tendenciosa, segmentária, generalizadora, intolerante e consequentemente, cada vez ais violenta. Os rótulos valem mais que as pessoas (profissão, religião, partido político, orientação sexual...). Valem mais que a essência, que é SER HUMANO.
Minha tristeza por ambos que morreram. Meus sentimentos às suas famílias.
Meu lamento pela sociedade intolerante e preconceituosa que nos tornamos. Independente de qualquer rótulo. continuar lendo

É ingenuidade pensar que em algum momento as mídias sociais serão capazes de noticiar toda e qualquer morte violenta e injusta que acontece no país. Mas é DEVER destas mesmas mídias trazer à tona os abusos incessantes da polícia, que supostamente deve servir e proteger, em relação à população, principalmente aos marginalizados pela própria sociedade. continuar lendo

Muito oportuno e bem colocado, dr Marco Guimarães. Mesmo sendo eu um ex-PM, lamento ambas as mortes ( do PM assassinado e do menor do Boréu). Nos dias atuais, com os bandidos bem organizados (PCC, CV, etc), o aumento crescente das drogas, dos traficantes, dos viciados, das violências, eu, hoje, ainda tenho capacidade o suficiente para o comando de policiais, porém, não mais a "coragem" que tinha antes. A sociedade (do bem), clama por segurança, paz e tranquilidade, cuja responsabilidade principal é dos governos (de todas as esferas), pois os policiais são meros agentes, quase sempre, mal remunerados, mal aparelhados, mal treinados, e as vezes até envolvidos com o crime. Presenciei muitas mães chorarem nas portas dos presídios, clamando pela inocência dos filhos e condenando os policiais que os prenderam; nos seus "redutos" não seria diferente, sendo inocente ou culpado, ali jamais haverá sequer uma testemunha a favor de um policial; pura utopia... continuar lendo

Duas coisas chamam a atenção: a primeira, a mais óbvia, é que nunca os traficantes dão o primeiro tiro e quando dão nunca é a sua bala que atinge alguém ... sempre são "os polícia" que matam.

Daí pegam testemunho de morador que se não contar a versão inocentando os inocentes traficantes vão tudo pro valão. Muitas vezes bloqueiam avenidas, tocam fogo em pneus, tudo a mando do tráfico, mas muitos fingem não ver isso.

Segundo é achar que combater o tráfico mata mais do que deixar rolar é, no mínimo, a visão de um completo desavisado. A lei da mordaça é quem manda e muitos morrem a mando e isso não vem a tona porque ninguém é louco de se sentenciar à pena de morte denunciando traficante.

Dificilmente alguém envolvido com o tráfico não cometeu outros delitos, então quando morrem a esse delito é atribuído o crime, mas a comunidade sabe muito bem o motivo. Todas as estatísticas de homicídios são baseadas em BO's e relatos de natureza duvidosa.

Outra coisa é quando há troca de tiros que envolvem menores ... muitos saem logo dizendo ser um absurdo a polícia ter matado um menor, mas quando este mata o policial tratam logo de fazê-lo de vítima da sociedade, como se todo favelado fosse bandido pelo fato de ser negro ou pobre e isso por si só justificasse o direito dele portar uma pistola ou fuzil e sair tirando vidas, roubando, sequestrando ... continuar lendo

Armpit Lover, vc trouxe um pouco de luz ao debate. Vemos que nem tudo está perdido e ainda há cidadãos não manipulados pela mídia. continuar lendo

Até que enfim um comentário de alguém que duvidou da manchete!
Porque essa foi a história mais esdrúxula que vi para dizerem que o tiro saiu da arma do policial.
Como vc disse, a bala sempre sai da arma do policial. Sabe porquê? Porque não dá pra pedir indenização pro traficante! Mas pro Estado sim!
Desde quando polícia atira em gente com saco de drogas na mão? Sério! Ninguém percebeu que é uma história estranha? Porque, se fosse assim, teríamos muitos usuários mortos!
O menino, se inocente, estava no lugar errado! Se tá tendo tiroteio na favela ou se já sabem que a polícia está subindo, porque sair pra comprar pipoca ou qualquer outra coisa!? A gente vê o tempo todo na TV as pessoas circulando nas vielas normalmente com tiroteio!
Aqui no Rio, se o policial não atirar primeiro e perguntar depois, ele toma bala! Já são quase 60 mortos só no primeiro semestre!
O policial anda acuado, sem armamento suficiente, sem preparação e sem saber se vai voltar pra casa! Então, se tiver que atirar, vai atirar!
A culpa é do Estado que deixa os policiais desse jeito! continuar lendo

"Segundo é achar que combater o tráfico mata mais do que deixar rolar é, no mínimo, a visão de um completo desavisado."

Você poderia fazer um favor para mim? Pesquise quantas pessoas já morreram em decorrência do uso da maconha, do LSD e do Ecstasy. Depois volta aqui e me dê os números. continuar lendo

Persefone Dreamer,

Isso inclui todos aqueles que morrem pelos acidentes causados pelos drogados? Drogados matam a si, a familiares, alimentam o tráfico que sequestra, mata, estupra etc. etc. etc.

Acho que você não entende de números.

http://www.gazetadopovo.com.br/especiais/paz-tem-voz/droga-causa-77-dos-homicidios-9dgb4ldc3wfdvvkce6rztqtzi continuar lendo

@armpitlover Eu só sou estou te pedindo os números. Você fez uma afirmação, só que não corroborou o que foi dito. Pois o que o noticiário está apresentando é que nos locais onde a maconha foi legalizada nos Estados Unidos, o número de overdose de idosos que usam fármacos diminui em 20%. É compreensível, pois é praticamente impossível morrer de overdose decorrente do uso da maconha. Ou seja, diversos fármacos são mais perigosos do que a maconha e muita gente usa. O rivotril é uma das drogas mais vendidas no Brasil. E cadê os viciados assaltando? Estou questionando suas afirmações, pois afirmar sem justificar é muito fácil. Não obstante, é um erro achar que a proibição não deixa a circulação de drogas livre, como você disse. Na verdade parece que é muito mais difícil comprar em um mercado regulamentado do que com o traficante. Outra coisa, os dados por você colacionados estão diretamente relacionados com a GUERRA ÀS DROGAS: "As estatísticas apontam que 108 traficantes morreram na guerra pelo tráfico, enquanto 166 usuários foram assassinados".

Outra coisa, essa matéria é tendenciosa, pois como que um viciado vai ser viciado em uma drogas que não vicia? Como que ele vai sustentar seu vício quando não há vício? Wikipédia: "O LSD não causa dependência física ou psíquica" "O brasileiro Dartiu Xavier da Silveira, Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi responsável por um estudo com dependentes de crack no qual estes se dispuseram a tratar sua dependência física por meio do uso de cannabis. Ao final do tratamento, 68% dos pacientes abandonaram o uso de crack, e posteriormente também cessaram o uso de cannabis." continuar lendo

Desculpe-me o autor, mas essa postagem é extremamente leviana e tendenciosa. Vc recebeu informações de duas fontes, uma da PM e outra da família do traficante morto. Estranhamente, vc decidiu que a versão da família do criminoso morto é a verdadeira e a colocou no título da artigo. A quem aproveita valorizar o criminoso e tentar desmerecer a versão das forças de segurança? Vc prestou um desserviço à sociedade. continuar lendo

Prezados, discretamente, proponho uma reflexão, aliás, alguém mais familiarizado com a área da criminologia poderia inspirar-se a escrever algo sobre o que segue:

Na terça-feira, finalizei a leitura de um livro intitulado "Mi Padre", escrito pelo filho de um dos maiores barões mundias do tráfico cujo nome era Pablo Emílio Escobar Gavíria. O livro traz, com riqueza de detalhes, a biografia deste que foi um dos maiores traficantes que o mundo já viu, um homem que matava e mandava matar sem piedade, mas que ao mesmo tempo dava tudo ao povo da sua região, tudo sustentado pelo dinheiro que vinha de um império responsável, à época, por 80% da cocaína do mundo.

Outro fato que vivenciei foi em uma vigem a trabalho ao México, em maio de 2015. Para quem não sabe, a situação mexicana é tão grave, que Estado já praticamente largou de mão algumas cidades, deixando-as para os narcos.

Poucos cartéis ao redor do mundo são responsáveis por quase a totalidade da droga que circula nas cidades ao redor do planeta, e com isso faturam bilhões de dólares.

Esta estrutura que compõe o sistema do narco-tráfico, é praticamente incombatível, vez que já tomou proporções incontroláveis.

A grande questão a respeito de todo este contexto é o consumo, ou seja, se chegamos a este ponto é pelo simples fato de que existe quem compre.

Contudo, a batalha contra o consumo já está perdida, também.

Neste cenário é fácil perceber que para cada um grama de qualquer droga, existe um rastro grande de sangue entre quem produz e quem consome.

A liberação das drogas também não irá resolver o problema, pode diminuir o trafico e o preço da droga, mas não acabará com a situação.

Ninguém deixará o negocio bilionário acabar, não interesse nisso.

Por isso, proponho que alguém de uma solução sinceramente eficaz para resolver a questão. continuar lendo

É meu caro Bruno, sobre o México eu já sabia. O que cita de um modo geral, é deveras assustador, porem realista. Certa feita, estava eu num famoso e conhecido hospital na capital de SP, onde minha esposa foi atendida, por um médico local, que durante a consulta, irritado comentou que alguns jovens médicos estavam reunidos numa sala ao lado, simplesmente fumando cigarros de maconha e o cheiro insuportável chegava até ali no seu consultório... continuar lendo