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19 de Agosto de 2019

Anticristianismo: um exemplo de homofobia e incitação ao crime

Wagner Francesco ⚖, Advogado
Publicado por Wagner Francesco ⚖
há 3 anos

Vi nas redes sociais que um pastor de uma igreja evangélica tirou uma foto com o deputado Jean Wyllys e escreveu:

Acho que ele pensou que meu sorriso era pela foto conseguida... Mas ele não sabe que eu só queria colocar minhas mãos sobre ele pra profetizar... "ou se converte, ou morre". O Brasil é de Jesus!

A frase é de um tremendo mal gosto e a atitude vergonhosa é crime. Por quê? Art. 286 do Código Penal

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:

Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

Mas, o que é fazer incitação? Segundo o dicionário é: ação de persuadir ou de estimular uma pessoa a fazer alguma coisa. Mas quando se trata de Incitação ao Crime, segundo o Código Penal, para que o fato esteja descrito neste tipo penal é necessário que seja de forma pública e sem determinação, que seja para pessoas indeterminadas.

Antes de continuarmos, uma pausa:

318 homoafetivos foram mortos no Brasil em 2015. Desse total de vítimas, 52% são gays, 37% travestis, 16% lésbicas, 10% bissexuais. Isto é: definitivamente o Brasil não é um lugar seguro para homoafetivos.

Continuemos...

É lamentável quando um líder religioso aparece numa Rede Social para pregar algo tão medieval como "ou aceita ou morre". Era assim na Inquisição, na Cruzada e, também, no período de evangelização dos índios na América Latina. O cristão que prega a conversão ou a morte falta um salto só para virar um terrorista islâmico...

Mas ele incitou mesmo? Vejamos.

Pelos comentários as pessoas dão graças Glórias a Deus pela pregação de ódio - inclusive gente que acha que ser homoafetivo é estar possuído por um demônio opressor.

Nestes comentários uma diz que é preciso usar a autoridade de um profeta para pregar o ódio. Mas é esta a função de um cristão? A Bíblia diz que "o diabo veio para roubar, matar e destruir", logo, se um cristão prega a conversão ou a morte está trazendo a morte de duas formas: uma, matando a liberdade de alguém ser o que quiser e outra, matando a vida literalmente.

E aqui o grande problema da incitação ao crime: pessoas vão achar legal e começar a fazer. O ódio se institucionalizou no pessoal e agora eles têm uma estratégia para ridicularizar e ameaçar homoafetivos. É justamente isto que a incitação ao crime é: instigação para que um crime contra a paz pública seja cometido.

O Evangelho está deturpado quando se prega o ódio e a intolerância, pois deveria prega a paz, a comunhão, a tolerância. Aliás, dizia o apóstolo:

Tende paz com todos os homens. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Romanos 12:18-21

E também

Andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, tolerando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Efésios 4:1-3

Mensagens como estas deste pastor são criminosas - e, evidentemente, anticristãs.

O dio dos cristos um exemplo de homofobia e incitao ao crime

150 Comentários

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Assim como meu saudoso avô, Jorge Guglinski, que foi prisioneiro na II Guerra Mundial, tenho nojo de fanáticos. Não repudio as religiões; não generalizo, mas tenho verdadeiro nojo de fanáticos como esse sujeito autor da publicação no Facebook.

Meu avô viveu durante o regime stalinista na Rússia, e escreveu suas memórias em um livro intitulado Eu e Stálin. Na nota do autor, ele registrou o seguinte:

"Não existem verdades políticas, o que existem são opiniões diferentes que não podem ser julgadas por uma única pessoa ou uma comunidade, seja ela agremiação, partido, associação ou governo. A maior dádiva de Deus, da Natureza-Mãe, de todos é o cérebro humano, e ele não pode 'errar' ou 'acertar', ele pode criar idéias, especular, criticar ou rejeitar, mas nunca definir verdades absolutas e definitivas" (Jorge Guglinski - Eu e Stálin).

Entendo que o mesmo se aplica à religião. Tudo é especulação. A fé jamais pode ser transformada em verdade e utilizada para manipular as pessoas, ainda mais para incitar o ódio.

Vale ainda transcrever o que disse Omar Khayyám, em poema que consta de sua obra Rubáyát:

"Não deixes teu saber magoar os outros,
vence-te, e a tua cólera, também;
e terás paz, se em te ferindo a sorte tu gargalhares – sem ferir ninguém."

Ou seja, o sábio poeta diz nada menos que: não utilize sua sabedoria para o mal!

A Pré-História se foi, a Idade Média se foi; melhoramos alguma coisa. Mas resta uma verdade: nosso mundo ainda está impregnado de mal. continuar lendo

Perfeito, professor!! Perfeito! E é como Dalai Lama diz, né? Se a sua religião causa mal a outrem, você precisa rever sua fé. continuar lendo

Realmente, o pastor em questão agiu com extrema falta de sabedoria, manifestando sua opinião com uma contundência discriminatória a pessoas que ninguém pode julgar; sua conduta, além de se configurar um ilícito penal, se encontra recriminada pela própria Palavra, como disse o apóstolo Paulo:
"Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma, para que o nosso ministério não caia em descrédito." Coríntios 6:3
Ocorre que, não é tudo especulação. O que conduz a esta ideia generalizada é o denominado pluralismo religioso, uma corrente pautada em preceitos filosóficos e sociais, que encontra firmes alicerces no mundo atual, como o pluralismo político e sexual. Em síntese, o pluralismo religioso aceita tudo, toda religião é válida. Assim sendo, insurge-se uma ideia de precariedade, como se, apesar de os fundamentos conceituais (igualdade e liberdade de expressão) estejam firmemente alicerçados, os fundamentos espirituais carecem e tremem; e como a verdade não pode ser mitigada, por que apenas uma religião prega a verdade, chamamos de especulação.
Acredito que o mundo espiritual, como transcendência de toda materialidade, de toda corrupção que o gênero humano pode conceber, comporta uma única e legítima verdade, um único Deus. Todo restante é especulação, pois houveram milhares de deuses, mas apenas um existiu desde o começo, por que ele criou o começo e estará até o fim. continuar lendo

Sabedoria pura do teu avô, amigo...tiro meu chapéu pra família Guglinski...qualquer forma de sectarismo, fanatismo, leva ao ódio extremo...Deus não tem religião, tem filhos amados. Não se pode aceitar qualquer facção religiosa fazendo esse tipo de pregação como fez esse senhor Marcos Klaim, que já deveria ter sido preso por isso ...já chega de matanças religiosas, absurdos, como essa excrescência chamada estado islâmico continuar lendo

Esse comentário foi tão bom quanto o texto. continuar lendo

Bom dia, Wagner!

Com a devida vênia, não visualizei a configuração de qualquer crime, no máximo uma falta de noção enorme!

Primeiramente, o crime que você cita do CP, vejamos:

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

Como se sabe, trata-se de um crime formal, que para sua configuração deve haver o dolo, logo, sem a intenção não se pode ter qualquer ideia de cometimento de crime.

Se a sua referência for ao termo "...,ou morre", se trata de um termo constantemente empregado por alguns religiosos para se indicar que alguém irá para o "inferno" e pelos próprios comentários colacionados isso fica evidenciado.

Assim, não há configuração do crime, ou qualquer ilícito penal, como mencionado, apenas uma falta de conhecimento tanto teológico, como uma falta de educação e noção. continuar lendo

Eu vislumbro a intenção/dolo exatamente quando a frase é dita. Sabemos que muitos crimes são cometidos no Brasil contra homoafetivos e a mensagem, conforme é passada, é de convocação da militância dos religiosos. E a morte, no contexto religioso, não diz respeito somente ao "ir pra o inferno" - tem esta ideia, também, mas não só. na Inquisição, nas Cruzadas e na Evangelização da América Latina era morte mesmo, tortura, porque isto significava a purificação do pecado.

Mas o seu ponto de vista é um ponto possível. Claro!
Valeu pelo comentário, grande Elim. continuar lendo

Eu acho que o autor do artigo é intolerante. continuar lendo

O autor do artigo é um teólogo cristão, @rafaelleal84. Impossível ele fazer parte da tradição e ser, ao mesmo tempo, intolerante com ela.

Um abraço! continuar lendo

Dolo claro quando o "Hetero" se acha no direito de "converter a força" (Ofendendo a liberdade de religião) o "Gay" (Sob a condição de ser condenado morte supostamente por Deus), sinceramente, não vejo diferença entre esse pastor e os extremistas islâmicos. continuar lendo

O "morre" pode também ser uma alusão à morte física mesmo, baseada no preconceito popular de que "todo gay é promíscuo" e daí estabelecer uma ligação com doenças sexualmente transmissíveis.
De qualquer forma, foi muito infeliz. continuar lendo

Quando falei do termo empregado, falo do emprego utilizado hoje e no nosso contexto cultural (Brasil).

É com muita cautela que devemos utilizar dos dispositivos penais para enquadrar um agente.

Isso porque no Direito Penal não se pode querer enquadrar alguém, principalmente nos crimes formais, com a mera conjectura ou possível inferência da possibilidade de ter havido intenção, está precisa ser clara e evidente.

Respeito seu posicionamento, mas discordo!

Grande abraço Wagner! continuar lendo

Corroboro com seu pensamento, Sr. Elim. Embora totalmente reprovável a conduta do pastor fanático, não configura crime por ausência de dolo.

Abraços! continuar lendo

exatamente.....por isto escrevi acima sobre a besteira do autor, pois deveria saber o que é uma hipérbole que expressamos exageradamente numa idéia, a fim de enfatizar essa informação.....só isto. continuar lendo

Concordo com o Elim!

O pastor deseja a morte, o que é lamentável e digno de estudo, de crítica... Mas não incita a matar. continuar lendo

Elim, teu ponto de vista esta em sintonia com o meu. O "bispo" foi infeliz no dizer e publicar aquelas palavras. Entretanto, tipificar o ato como aquela conduta inscrita no artigo 286 do CP, me parece tão absurdo quanto. continuar lendo

"O ódio dos cristãos: um exemplo de homofobia e incitação ao crime"

Criminosa é vossa postagem!
Primeiro que generaliza (cristãos, plural); fora UMA pessoa e não "cristãos".

Segundo que CALUNIA o referido pastor, retirando do contexto teológico a frase "ou se converte ou morre", pois todos vamos morrer um dia; no caso, ao que consta, ele diz no contexto de morte da alma pois o mesmo é tão mortal quanto o pederasta cuspidor.

Terceiro que é notório no restante do artigo vosso ódio aos cristãos e portanto a religião cristã e portanto pode ser enquadrado em artigo constitucional de incitação ao ódio de determinada vertente religiosa.

Quarto que vossa senhoria sequer estuda a sério o que supostamente coloca como base vossa "Cristãofobia" - a História da Igreja Católica e portanto Origem da religião no mundo ocidental - História com agá maiúsculo e não retirada de livros caluniadores, geralmente oriundos do iluminismo e que normalmente é início de toda a calúnia contra a religião cristã e principalmente Católica. continuar lendo

João N neves,não se ofenda comigo, falo respeitosamente, pois, não conheço vc e acho que mereces respeito como todos, realmente, existe uma linguagem de alguns religiosos que indicam "ou se converte ou morre" em vários sentidos. Pode ser "morte espiritual...", e pode ser (significar) morte física mesmo por desastre, castigo ou outra forma... de fato, diretamente, ele não quer que dizer (acredito nisto sinceramente) matem os outros, mas, "indiretamente" justifica tragédias para os "pecadores". Ora, tal discurso pode ser pessimamente interpretado. Realmente, ele foi infeliz em seu comentário, no mínimo. continuar lendo

Interessante você achar que o autor tem ódio aos cristãos. Ele próprio é teólogo cristão, o que consta em sua pequena biografia que aparece ao fim do texto e num comentário dele acima. Mostra apenas como algumas pessoas tem uma necessidade quase inexplicável de enquadrar todos em caixinhas... continuar lendo

concordo com você. continuar lendo

Não vi uma incitação ao crime, apenas uma frase infeliz dita por um ignorante com espaço na mídia (e quantos outros existem?).
Mas interpretações pertencem a cada um e aí está o risco. continuar lendo

Oi, José Roberto, pela segunda vez quero parabenizá-lo por lucidez em seu comentário.... continuar lendo