jusbrasil.com.br
18 de Outubro de 2017

Por que bacharéis em Direito escrevem tão mal?

Wagner Francesco ⚖, Estudante de Direito
Publicado por Wagner Francesco ⚖
ano passado

Por que bacharis em Direito escrevem to mal

No geral, bacharéis e bacharelandos em Direito escrevem muito mal - e o problema disso é fácil de descobrir: todos escrevem muito pouco. Em geral escrevem pouco porque na universidade fazem em regra duas atividades: responder questões objetivas ou apresentar seminários - lendo slides mal feitos!

Para dar um exemplo de como as faculdades não contribuem, na instituição em que eu estudo o aluno é realmente submetido à prática de escrever apenas num evento chamado PI - Projeto Interdisciplinar. E este PI ainda é planejado de forma equivocada, porque são vários alunos, geralmente equipe com 6 ou 8, escrevendo um texto. Simplesmente não funciona! Escrever é como escovar os dentes: cada um com sua escova!

Então não há o exercício da escrita, da produção de textos, do treinamento para produzir novas doutrinas. Na sua faculdade é diferente? Conte-me nos comentários sua experiência!

Por que bacharis em Direito escrevem to mal

Os bacharelandos não escrevem muito e ainda leem demais. Mas leem o quê? Códigos, resumos, transcrições do que o professor fala na sala... O fato é que ler muito é prejudicial para quem quer aprender a escrever. Eu estou dizendo isto? Não, foi o Schopenhauer. Em um texto chamado "O perigo da leitura excessiva" ele chegou a dizer:

Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: repetimos apenas o seu processo mental. Ocorre algo semelhante quando o estudante que está a aprender a escrever refaz com a pena as linhas traçadas a lápis pelo professor.[...] Enquanto lemos, a nossa cabeça, na realidade, não passa de uma arena dos pensamentos alheios.

Foi o Albert Einstein quem disse em uma entrevista em 1929:

A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar.

Ler não é ruim. De forma alguma. Ler é urgentemente necessário, mas o problema é o que se lê, como se lê e com qual finalidade. Lemos, no geral, para nos encher de informação. Informação é ruim? Não. Mas ficar sem saber o que fazer com ela é sim. Somos treinados para decorar fórmulas, juntar jurisprudências e por esta razão é que no geral o bacharel em Direito escreve muito mal. E por escrever mal eu quero dizer que realmente escreve mal no sentido de que assassina a língua portuguesa, bem como escreve mal no sentido de que raramente apresenta para o mundo um caminho diferente para ver as coisas.

Talvez valha para o ensino jurídico o alerta que Paulo Freire deu em seu livro "Educação na cidade":

Não basta saber ler que 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.

Isto é, não basta ler as leis e decorar jurisprudência, é preciso questionar por que elas existem. E não basta questionar, é preciso ultrapassar as ideias postas e apresentar novas. No geral, por culpa das Universidades que se transformaram em cursinhos para a OAB e Cursos para concursos públicos, estamos muito longe de sermos bons pensadores, bons escritores...

Talvez fosse o caso da gente seguir o conselho do professor Alexandre Morais da Rosa: "o ideal seria fazer a prova da OAB no começo do curso, porque aí depois seria o resto do curso para realmente ensinar o Direito".

Direito é produção de ideias, é construção de argumentos, é apresentação de contraditórios - e saber escrever é essencial.

Na pátria educadora chamada Brasil, o bacharelando em Direito precisa despertar!

350 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Prezado Wagner!

Infelizmente essa fenômeno não ocorre somente com bacharéis e bacharelandos em Direito... Acredito que as bases desse prejuízo iniciam mais cedo do que pensamos.
Excelente reflexão! continuar lendo

De fato colega, os colégio campeões em aprovação nos vestibulares e ENEM, que colocam seus alunos gênios estampados em outdoor como verdadeiros heróis por terem sido aprovados em medicina, explicam que o problema vem, no mínimo, desde o ensino médio. continuar lendo

O governo federal, nos últimos anos, enfiou goela abaixo do povo curso superior, em detrimento de fomentar (sim, pois implantar é obrigação dos demais entes) a educação básica e técnica.

Alías, temos uma tendência proveniente do marxismo cultural de inferiorizar e discriminar a norma culta, sob o fundamento de ser mais uma vertente da opressão cultural europeia.(pura bobagem, por sinal!)

Em outros termos, em busca de votos, temos implantação de cotas nas Universidades Públicas (que deveriam ser a excelência em produção cientifica e não ferramente de combate às desigualdades), incentivo à deterioração da norma culta da lingua (vide novo currículo do MEC), sucateamento do ensino básico, etc.

Só aguardem que a tendência (se continuar no caminho do marxismo cultural) é piorar essa situação! continuar lendo

Creio que grande parte dessa deficiência, não são privilégios dos bacharéis em direito; são deficiências de um plano de ensino que institucionalizou, desde o início dos estudos, a inclusão do X.

A indústria do livro de ensino é uma vergonha. Apenas se imprime livros para o ano letivo, no próximo ano letivo, nova turma, ou mesmo os "insistentes" em permanecer na mesma graduação, têm que adquirir livros novos; palavras diferentes, cores diferente, mas a mesma filosofia.

Ah que saudades dos livros de papel jornal e das aulas de latim.

Outro ponto importante, os "alunos" são os mais maravilhosos tomadores de serviços; não exigem que o serviços sejam prestados com frequência, qualidade, racionalidade. Em sua grande maioria, apenas têm como objetivo concluir o curso que está matriculado.

Com a massificação do ensino, buscou-se apenas a quantidade, porém a qualidade foi esquecida, foi considerada deletéria para a política. Haja visto o resultado das urnas e a qualidade dos "políticos embodegados" em nossos mananciais de corrupção eterna.

Enfim, para um país de "gérsons" viva os que se aprimoram em aprendizado acima e além da pseudas faculdades; viva os que se propõe a serem cultos; viva aqueles que conseguem fazer várias redações usando palavras diferentes com o mesmo significado. continuar lendo

Kelly com certeza, bateu em cima. Educação reducionista desde a tenra idade, infelizmente somos um país de analfabetos funcionais. continuar lendo

Marcio me perdoe, mas cotas são uma necessidade, goela abaixo ou não. E universidade é sim palco para correção de desigualdades, ou vc espera essa correção começar onde? No planalto? continuar lendo

Cara Ana Lúcia Fagundes Souto;

Comungo, em parte, seu pensamento. Eu sou "branco", minha mulher é "negra" e meus filhos são mestiços; nem por isso ele são melhores que os negros e piores do que os brancos.

Racismo, preconceito, é fruto da ignorância, e as quotas nas faculdades até poderiam existir, porém, não em função de ser branco ou japonês, mas em função de "desigualdade social".

Aqueles menos afortunados poderiam até ter quotas, ou talvez uma coisa mais inteligente, pessoas que têm "posses financeiras" robustas, pagariam por seus estudos de alguma forma ou estudariam em "estudos particulares".

Quem entra em uma faculdade por força de uma "quota por ser da raça negra", somente por isso traz o pejo de estar na faculdade apenas por ser negro. Essa quota é racista, não traz a igualdade de oportunidades e muito menos o respeito dos ignorantes.

Nós os brancos e eles os negros; não somos diferentes, portanto não pode haver essa distinção, essa separação, essa humilhação.

O correto seria: nós os brasileiros carecemos mais de entendimentos e menos de radicalizações, seja pela cor da pele, pelo biotipo de nosso corpo, pelo nosso credo ou não.

As quotas poderiam/deveriam existir mas apenas por motivos sociais e não raciais.

Meu irmão negro é tão ou mais gente do que eu; nunca, jamais, menos. continuar lendo

Ana Lucia, você sequer leu meu comentário inteiro. Eu disse que Universidade PÚBLICA não tem essa tarefa. Isso, pois Universidade PÚBLICA deve voltar-se à produção acadêmica.

Quem não tiver capacidade de entrar que utilize ProUni ou outro programa de incentivo.

Entendeu? continuar lendo

Ana Lúcia, o problema é que o governo apresenta o ingresso na faculdade como forma de combate à desigualdade, quando na verdade devia ser consequência.
A correção das desigualdades começa no ensino fundamental, mas não basta iniciar o processo apenas na seara educacional. O povo precisa de comida na mesa e assim o Governo deve também fomentar a economia para prover fonte de renda e dignidade para todos. A Justiça deve funcionar para todos para desestimular o ilícito de ricos e pobres e fornecer segurança material, moral e jurídica. A saúde deve prover a paz de corpo e espírito para a população. Assim a criança pode estudar sem preocupações e assumir seu papel na sociedade, aprendendo a pensar por si e adquirindo os conhecimentos necessários para atingir patamares cada vez maiores.
O combate à desigualdade exige um governo que não se preocupa com ideologias, conchavos ou projetos de poder, mas que tenha apreço pelo papel que desempenha na sociedade. Portanto, a cota em universidade, apesar de trazer alguns benefícios isolados, é uma cortina de fumaça para os políticos fingirem que se preocupam enquanto continuam a montar seus currais eleitorais. continuar lendo

Universidade pública é um instituto de ensino superior que visa a produção científica como qualquer outra do setor privado. "Marxismo cultural", que seja, se mostra legítimo e necessário. Os discentes que graduaram a vida toda em ensino básico particular, com cursinhos extracurriculares e todo um aparato educacional, social e cultural requintado, que façam jus ao sistema neoliberal que lhes pertencem (continuem no setor privado).

Os institutos educacionais são públicos não somente porque é um direito constitucionalmente consagrado a todos, mas porque visa sociologicamente atender todas as classes sociais, dentre elas, a baixa renda. continuar lendo

É interessante o que algumas pessoas apresentam como argumentos de que tudo está errado sempre. Se o governo não dá subsídio, ele não cumpre o papel. Se ele dá subsídio ele cumpre o papel errado. Oras, É uma mudança sim ter pessoas de baixa renda podendo cursar uma faculdade. Isso muda vidas, muda destinos, muda famílias, transforma futuros. Conheço muitos jovens e suas famílias que através de PROUNI ou FIES conseguiram se formar e hoje podem exercer uma profissão e ajudar aqueles que sempre lutaram bastante ao lado deles. A universidade é sim um local onde pode ser combatida a desigualdade, e realmente funciona. É perfeito? Não. Mas e daí? O importante é que quem está no poder faça coisas que dê oportunidades aquelas pessoas que são boas mas não tem oportunidade. Isso é inclusão, são coisas boas, são frutos que serão colhidos adiante com toda a certeza. O combate a desigualdade social não é uma luta para tornar a todos iguais em suas posses, mas sim iguais em oportunidades. E justamente por isso que há pessoas que aproveitam a oportunidade e há aquelas que não. Mas a oportunidade TEM que ser dada a cada indivíduo. continuar lendo

Marco Aurelio Vicente, quando você depender um médico semi analfabeto ou for morar em um prédio construído por um engenheiro que não sabe fazer contas, vai entender o porquê dos cursos superiores precisarem ser de excelência! continuar lendo

Felipe Miranda, pelo fato de ser estudante, creio que não tenha estudado repartição de competências, fins do Estado Social, dentre outros tópicos.

Aprofunde-se mais antes de defender algo como Marxismo Cultural. continuar lendo

Sr. Marcio da Silva. Compreendo sua visão através do que você colocou em seu comentário. Mas não me diga o que eu entendo ou não, vc não me conhece para dizer o que entendo ou não.
Já vi médicos trabalharem no Brasil sem saber falar adequadamente o português (um médico cubano de uma cidade pequena aqui perto), mas não vi ainda médico semi analfabeto (o que vi sabia bem como exercer sua função, mas o português parece ser mais difícil de aprender do que as atividades de medicina, pelo menos para estrangeiros, hehe). Nem as universidades européias, nem as americanas são perfeitas ou de completa excelência com algumas poucas exceções, que talvez não chegue a 20 instituições (por ex. Harvard).
Acredito que o trabalho de retirar maus profissionais do mercado é algo conjunto da população como um todo e o processo dirigido pela entidade de classe de cada profissão. Em outros países há modelos que funcionam. Aqui no Brasil temos o ReclameAqui para selecionar as empresas melhores e piores, e é algo que está dando certo e crescendo cada dia mais para medir quais empresas estão na "lista branca" e quais estão na "lista negra". Pq não fazer isso para engenheiros e médicos e demais profissões?
Sobre a educação, o Brasil é atrasado, "dinossáurico". Nossa formação histórica e política nos levou a isso desde sempre. Como cobrar excelência agora, "pra ontem"? Há um longo caminho para chegar lá. A inclusão por mérito é um dos passos deste longo caminho. Essa é minha visão de mundo, tudo é uma evolução. E sim, eu bato palmas para cada pequeno passo e para cada pequena conquista dos brasileiros terem oportunidades de serem o que sonham. continuar lendo

Para quem critica o Marxismo, independente da corrente ideológica que ele percorre, foi somente com ele que se começou a questionar as condicoes impostas pelo status quo da época. Foi com ele que se passou a escrever sem repetição de ideias e ao mesmo tempo expondo e apontando um caminho diverso. Se estão certos em essência ou não, cabe somente a quem leu as outras correntes, também as questionou e também apontou caminhos, com críticas construtivas baseadas em argumentos sólidos, sem críticas nocivas que apenas resvalam desabafos. Se não o fizeram, apenas corroboram o que descreve o autor do artigo. continuar lendo

Os bacharéis e bacharelandos em Direito não estão sozinhos nessa. São os estudantes em geral.
Sua reflexão é excelente, só faltou acrescentar que a juventude em geral (não só estudantes ou mesmo graduados) escrevem mal por conta também das redes sociais e aplicativos de mensagens. As pessoas cometem erros básicos por que estão acostumadas a escrever tudo abreviado e do jeito que se fala. Não é problema de ler muito, é o contrário. Lemos pouco e o que lemos não tem qualidade.
Na minha época de faculdade os professores indicavam as doutrinas clássicas, contudo, nada do que estava ali era cobrado. Para tirar nota bastava acompanhar as aulas e fazer anotações. Depois era só dar uma lida rápida no que foi anotado e pronto, nota suficiente pra passar.
Eu, pelo menos, não fui preparado pela faculdade sequer para ser aprovado no exame da Ordem. Claro que eu não estudei em uma instituição "top", portanto, não posso generalizar.
Todo o conhecimento jurídico que detenho hoje adquiri por conta própria, aprofundando os estudos em busca da aprovação no exame da Ordem e em concursos públicos.
Admito que não escrevo tão bem como gostaria, mas ponho muitos estudantes e graduados em diversas áreas (não só do Direito) no bolso. E isso graças a meu saudável hábito de leitura, que cultivo desde a mais tenra idade, quando lia os gibis da turma da Mônica.
A leitura é importante para termos vocabulário e sabermos por no papel (ou no e-mail ou algo que o valha) o que queremos dizer, para nos fazer entender.
Não dá para pensar coisas novas se não conhecemos as antigas. Para isso precisamos ler. Tudo, gibi, revistas, periódicos, doutrinas e etc. É preciso formar o conhecimento, para daí darmos passos mais largos.
Mas isso deve ser incentivado quando da alfabetização, para chegarmos na universidade capazes de aprender e não apenas decorar. continuar lendo

Muito bom o artigo, muito bom o seu comentário! continuar lendo

Vamos largar o osso um pouco. Toda discussao termina em direita/esquerda marxismo ou nao. Cota eh uma ferramenta para consertar desigualdade, nao para combater racismo, ha uma diferenca importante nesse aspecto. continuar lendo

Formidável a real captação do amigo em realmente deixar clara a deficiência de muitos cursos jurídicos, mais preocupada em ensinar a técnica de acumulação das regras formais do que o estímulo ao estudo doutrinário e consectário de indivíduos pensantes na arte de produzir textos jurídicos inéditos.

Na minha faculdade não foi diferente, no tempo de caminho da graduação, alguns professores (não todos) eram mais preocupados em lê literalmente os artigos dos Códigos, sem nenhuma criticidade, a promover um real debate sobre a razão de ser daquele texto normativo. O que realmente importava era norma jurídica, desdobrada simplesmente no seu preceito primário (hipótese de incidência) e secundário (sanção jurídica).

Muitos olvidam a maravilha que é, quando nas aulas inaugurais da Introdução a Ciência do Direito, o grande professor e doutrinador Miguel Reale nos fornece em sua obra “Lições Preliminares de Direito”, os introitos para compreensão que o Direito é formado pelo tripé FATO-VALOR-NORMA, em que cada um dos estamentos tem seu grau de importância do estudo das ordens fenomenológicas jurídicas e de fundamental importância na formação de operadores jurídicos autodeterminados na produção científica.

Mas amigo, aqui faço uma ressalva importante, as distorções por ventura existente na graduação, podem ser facilmente debelada pós-faculdade, pelo ato pessoal de transmudar essa realidade, porque antes de tudo a leitura é o primeiro ato de deslocamento do status quo, e o segundo a produção cientifica, porquanto o tempo e a tomadas de decisões podem ser os catalizadores para recuperar os escritores ocultos de cada um, basta o simples ato composto de querer e estudar. continuar lendo

A deficiência vem antes do ensino superior. O fundamental e o médio não ensinam os alunos a escrever. Para bem fazê-lo, antes é necessário ler muito. No meu tempo tínhamos o ensino primário (onde havia aulas de redação), ginasial (quatro anos, com ingresso através de exame e, se a opção fosse humanas, o curso clássico. Lógico que todos escreviam de razoável as muito bem. O foco deve ser dado, atualmente, no fundamental e no médio. No que concerne a várias faculdades e universidades privadas, deveriam simplesmente ser fechadas. continuar lendo

No meu caso foi um pouco diferente. Fiz um bom curso superior, escrevi demais na faculdade, li muita teoria e pouca letra de lei. Entretanto agora, depois de formada me sinto despreparada para, por exemplo, resolver provas objetivas de concursos que simplesmente tiram uma palavra de um trecho transcrito da lei e me perguntam onde está o erro. Trabalhando no judiciário percebo o absurdo que é o fato de um advogado não dominar seu próprio instrumento de trabalho que é justamente a palavra, e que muitas vezes o resultado pretendido num processo não se alcança pq sequer houve a descrição clara da situação objeto da ação. O problema é sim muito grave e estrutural. Não diz respeito apenas ao mundo jurídico. Se expressar de forma clara em um texto escrito é algo a ser dominado muito antes, até no máximo o final do ensino médio, pq isso de fato é o que significa alfabetização e é o tipo de habilidade necessária para atuação nas mais diversas áreas do conhecimento. Não acho que ler seja um problema, pois nos dá repertório pra escrever, idéias pra pensar e amplia o vocabulário, mas jamais deve ser desculpa, ou pode ser considerada uma atividade substituta ao treino da escrita. continuar lendo

Eu, particularmente, acho mais fácil entender a lei do que simplesmente decorar seus artigos. Sempre que estudo, procuro entender do que a lei se trata. Me preocupo mais com isso do que com dispositivos. Inclusive acredito que entender a lei facilita demais nos momentos de estudo para uma prova.

Tive um professor de Processo Penal, Prof. Leonardo Marinho, que leciona na PUC Minas São Gabriel. Ele é daqueles que não querem te enfiar dispositivos guela abaixo, mas sim te fazer refletir e entender a lei.

Não gosto de Processo Penal, não estudei Processo Penal, não trabalho hoje com Direito Criminal, mas quando fiz minha prova da OAB, fechei Processo Penal na primeira etapa. Isso porque pensei mais nas reflexões em si do que nos dispositivos. O conteúdo dado por ele ajudou demais.

Tenho mais facilidade em assimilar algo quando existe um motivo, uma razão, quando se entende a essência da coisa. Acho que o Direito seria menos complicado se a gente entrasse nesse campo da interpretação sistemática. Óbvio que deve haver uma leitura dos dispositivos e apontar sua aplicação na prática, mas se a interpretação sistemática fosse regra e não a exceção, formaríamos melhores discentes e docentes. Além de haver uma melhor assimilação do conteúdo. Por isso gosto de artigos, livros de doutrina, ainda que antigos.

Quanto à leitura, concordo plenamente. Não acho que ler seja ruim. Acredito que as pessoas leem pouco e isso prejudica a escrita. Isso porque o português falado não é igual ao português escrito. Ademais, tem a questão de ampliação do vocabulário. Eu mesma preciso expandir o meu, mas entendo que seja com o tempo e com maior prática. Além de questão de estilo, existe quem goste de vernáculos mais "complexos", mas existem pessoas que preferem utilizar um linguajar simples para que se faça compreender com maior facilidade. continuar lendo

Meu caro Wagner:
Sua abordagem e consequente temática merecem aplausos. Concordo com a maior parte do seu arrazoado e dou-lhe razão. Fui professor universitário muitos anos; depois, de cursos de mestrado e doutorado, e hoje sou professor-orientador de doutorandos como profissional liberal. Tenho visto verdadeiros absurdos na escrita acadêmica e, o que é pior, venho percebendo um crescimento exponencial nesse incômodo fator.
Todavia, não posso concordar com sua posição a respeito da leitura. A leitura é o portal de entrada para a escrita e se não se passar por esse portal, decididamente não haverá boa e inteligente escrita. Isto é insofismável.
Particularmente, leio (de há longa data) em média três livros por semana. Ainda nos estudos secundários (e como matéria obrigatória) aprendi a arte leitura dinâmica, o que muito colabora com a compreensão de texto.
Para se aprender a escrever, há que se escrever, mas também há que se ler, intensamente. Simples assim. Ditas práticas, quando tornadas rotineiras, incrementam substancialmente seu vocabulário, ampliam dinamicamente seus ângulos de abordagem dos temas, lhe proveem de uma aguda visão crítica, e o induzem a análises imparciais.
Nossos acadêmicos desconhecem o que seja a metodologia científica à par em que a abominam. Mal sabem que, sem ela, nunca chegarão à verdadeira e científica escrita. O erro principal, neste sentido, situa-se nos professores que versam sobre este tema. Tenho presenciado verdadeiros absurdos ao observar aulas desta matéria.
Digo-lhe mais: meu idioma original não é o Português, mas sim o Espanhol, associado àquele, ao Inglês e ao Francês. E esta qualificação advém da intensa leitura em vários idiomas, ademais - claro - do profundo estudo das respectivas gramáticas.
Por derradeiro, posso lhe afiançar que, numa turma de 40 alunos de Direito cursando a nona fase, quiçá 10% apenas saibam escrever adequadamente.
Parabéns e cordial abraço! continuar lendo