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22 de Outubro de 2020

Por que trabalhar é tão chato?

Reflexões a partir de Karl Marx.

Wagner Francesco ⚖, Advogado
Publicado por Wagner Francesco ⚖
há 5 anos

Li com muito gosto um livro do Karl Marx chamado "Manuscritos econômico-filosóficos". É uma obra prima - como toda obra do Marx. E uma frase chamou-me a atenção neste livro. Segundo Marx,

O que constitui a alienação do trabalho? Primeiramente, ser o trabalho externo ao trabalhador, não fazer parte de sua natureza, e por conseguinte, ele não se realizar em seu trabalho mas negar a si mesmo, ter um sentimento de sofrimento em vez de bem-estar, não desenvolver livremente suas energias mentais e físicas mas ficar fisicamente exausto e mentalmente deprimido. O trabalhador, portanto, só se sente à vontade em seu tempo de folga, enquanto no trabalho se sente contrafeito. Seu trabalho não é voluntário, porém imposto, é trabalho forçado. Ele não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades.

Não é meu intuito, nesta pequena reflexão, debater a teoria da alienação em Marx e nem a percepção dele no que diz respeito ao trabalho forçado, mas minha proposta é discutir por que temos a sensação de que trabalhar é tão chato. E esta ideia de que o trabalho é chato pode ser facilmente percebida quando vemos em redes sociais, por exemplo, a forma como a galera espera pelo final de semana, feriado ou o melhor de tudo: férias. Agora me responde aí: por que amamos as sextas-feiras?

Por que trabalhar to chato

Bem, em primeiro lugar devemos nos perguntar sobre o sentido do trabalho. O que é trabalho? A palavra trabalho deriva do latim - tripalium. Era um instrumento de tortura do exército romano. Assim, enviar alguém ao tripalium era sinônimo de obrigar ao sofrimento, dor e exaustão. Vale lembrar que muito antes deste objeto romano o trabalho já era visto como algo que trazia sofrimento. Segundo a Bíblia, após o primeiro pecado, Deus disse ao homem:

Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; Gênesis 3:18,19

Se antes o ser humano passeava pelo jardim e trabalhava para viver, agora passa a viver para trabalhar. Não se vive mais, mas apenas sobrevive.

Agora pare um pouco e pense: não é assim que a maioria dos trabalhos são? O indivíduo já levanta da cama pensando: oh, Deus, mais um dia de trabalho!

Por que trabalhar to chato

Mas tem que ser assim? Eis o nosso segundo ponto: não! Trabalho não tem que ser um tripalium. Deve ser o que os filósofos gregos chamavam de póiesis - criação ou fabricação. O trabalho tem que ser criativo e não somente mecânico. É preciso trabalhar com prazer e não há prazer quando o trabalho é um fim-em-si-mesmo, como diria Marx.

Por que trabalhar to chato

E como começar a vencer este mundo do trabalho que é tripalium e não póiesis? Pra começar, discutindo a carga horária. Num artigo muito recente, o site BrasilPost trouxe uma matéria muito interessante chamada "Por que trabalhar das 9h às 17h não faz sentido?" Ora, não faz sentido algum esta carga de trabalho - fruto da revolução industrial que, para produzir mais capital, colocava crianças e idosos no mundo estafante do labor. Esta imensa carga horária traz inúmeras doenças para o trabalhador e transforma de modo muito negativo as relações sociais - pois o indivíduo não tem tempo para os amigos, nem para os familiares e nem pra si próprio. Exatamente como Marx disse:

O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo dos objetos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens.

Por que trabalhar to chato

Precisamos pensar num ambiente de trabalho e em formas de trabalho que privilegie o trabalhador e não somente o produto do trabalho. Precisamos criar e não somente produzir - principalmente se a produção for alienada do tipo que mostra que produtores de cacau experimentam chocolate pela primeira vez na vida. Isto é: A Costa do Marfim é um dos maiores produtores de cacau do mundo, com uma produção anual de cerca de 1,6 milhões de toneladas. No entanto, a maioria dos plantadores da semente jamais tiveram a chance de provar o doce.

Acontece muito por aqui: muitos trabalhadores produzem a riqueza e não gozam da riqueza que produzem. E muitos até produzem riqueza e ganham muito, mas não gozam do que ganha porque não lhe resta tempo. Aliás, como bem disse Marx: O tempo é tudo, o homem não é nada. O homem é, no máximo, a carcaça do tempo.

Que tenhamos trabalhos que nos dê dignidade e não que nos tornem objetos. Precisamos produzir mercadorias, mas precisamos nos construir enquanto gente. Lembrando sempre que, segundo a Constituição Federal, art. , o lazer é um Direito Social.

75 Comentários

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Não me causa espanto a depressão ser um dos maiores problemas de saúde pública atuais. Excelente texto. continuar lendo

"Obra prima de Marx" !
É ... nada como da "obra" à prática; e nisso, ninguém como Dilma, Lula e outros quadrilheiros para mostrar como essas "obras primas", depois de aplicadas rendem frutos abençoados. Se antes éramos pobres, agora nos tornamos miseráveis. continuar lendo

Eu não sei de onde você achou o link para falar em Dilma ou Lula a partir do meu texto, mas tudo bem. O fato é que, quem leu o livro que eu me referi e quem olha o governo destes que você citou vê, de cara, a distância entre ambos. O governo do PT foi um dos governos que viraram as costas para a luta por redução da carga horária - e a CUT, que é pelega, também deixou de lado. Então eu pergunto: qual a relação com o livro de Marx nesta atual gestão? Ou não leu o referido livro ou ainda não entendeu o que o PT quer...

Acho que precisamos tomar cuidado ao fazer comparações, porque tipo: a gente pega as mazelas dos socialismo e culpa Marx, mas a gente vai ler Marx e vê que a galera fez totalmente diferente do que o Marx disse. Aí a gente reflete mais um pouco e percebe que não foi Marx quem disse as coisas, mas os marxistas (Stalin, Lênin, Trotsky etc). Se a gente culpa o Marx porque os marxistas fizerem besteiras, aí vamos culpar Jesus pelas misérias que os cristãos fizeram. É uma atitude, com o perdão da palavra, um pouco burra. E isto acontece muito, por exemplo, na atual conjuntura política brasileira: o seu município está abandonado, mas aí, ao invés de cobrar do prefeito e dos vereadores, a gente vai bater panela contra a presidenta.

Enfim. O meu texto é sobre trabalho e lazer. O que você acha? Gosta de trabalhar sem parar ou prefere trabalhar bem e ter tempo para você e as pessoas que você ama?

Tenha um bom dia!!! continuar lendo

Também gostaria de saber o que tem a ver uma coisa com outra! Virou moda agora que podemos falar o que quisermos sobre qualquer assunto xingar o PT,o Lula e a Presidente Dilma. Ví uma postagem semana passada em que o infeliz dizia: VEJAM AS VÍTIMAS DO SOCIALISMO SÍRIO....etc...referindo-se aos náufragos que fogem da guerra para morrer em alto mar.Jorge Furtado foi feliz nessa colocação e reforça bem o que está acontecendo nesse debate: "As redes sociais liberaram uma legião de idiotas, que sempre existiram, mas que antes ficavam quietos. Agora as pessoas publicam!", diz Jorge Furtado referindo-se à desinformação generalizada que existe dentro das redes sociais. Pois é! Embora não creio que haja só desinformação...acrescente-se aí uma dose de má intenção! continuar lendo

País de miseráveis, não, isso não existe. O Brasil da fome acabou. Eu viajei e morei em muitos lugares no Brasil desde a infância, e uma das poucas coisas que me vanglorio é que a miserabilidade acabou no Brasil. Na década de 70 e 80 existiam adultos subnutridos, com inanição com velhice precoce , sem dentes, a classe média alta tinha padrão de um operário americano. As crianças sofriam de desnutrição grave, tínhamos índices gigantescos de mortalidade infantil, o Brasil, em especial o nordeste, passou um problema grave de africanização, as empresas farmacêuticas internacionais usavam essas crianças como cobaia, muitos eram raquíticos, entende raquíticos? Moravam em casa coberta de plásticos ou de pauta a pique, quando tinham casa. Passei 20 anos vendo crianças de rua aos milhares até a década de 1990, em minha casa, todos os dias pelo menos 20 famílias iam pedir comida, em total desespero e sofrimento. Poucas coisas que posso dizer do ano 2000, eles acabaram.
Por outro lado, aplicando a curva de pikkety, os ricos ficaram até 100.000% mias ricos, os milionários viraram bilionários, os carros caríssimos etomaram conta do Brasil, antigamente para conquistar uma garota levava elas para andar de carro, hoje é uma volta em um jatinho. A desigualdade aumentou a níveis alarmantes e o mundo sucumbi as regras de acumulação do capital.
Não, o Brasil hoje tem pobres, antigamente tinha flagelados . continuar lendo

A teoria da exploração

“O sistema econômico marxista, tão elogiado por hostes de pretensos intelectuais, não passa de um emaranhado confuso de afirmações arbitrárias e conflitantes.” (Ludwig Von Mises)

Poucas teorias exerceram tanta influência como a teoria socialista de juro, ou mais conhecida como “teoria da exploração”. De forma resumida, ela diz que todos os bens de valor são produtos do trabalho humano, mas que o trabalhador não recebe o produto integral do que produziu, pois os capitalistas tomam para si parte do produto dos trabalhadores.

O juro do capital consistiria, pois, numa parte do produto de trabalho alheio que se obtém através da exploração da condição de oprimidos dos trabalhadores. Os dois grandes expoentes dessa teoria foram Rodbertus e Marx, e um dos primeiros economistas a apresentar uma sólida refutação dela foi o austríaco Eugen Von Böhm-Bawerk.

Mises definiu a sua obra como “a mais poderosa arma intelectual que se tem para a grande batalha da vida ocidental contra o princípio destrutivo do barbarismo soviético”. Segue um resumo dos principais pontos abordados por ele, com especial foco na teoria marxista.

Um dos primeiros pontos onde se pode atacar essa teoria é no que diz respeito à afirmação de que todos os bens, do ponto de vista econômico, são apenas produtos de trabalho. Se fosse verdade que um produto vale somente aquilo que custou de trabalho para produzi-lo, as pessoas não iriam atribuir um valor diferente a um magnífico barril de vinho de uma região nobre vis-à-vis o vinho de outra região pior. Uma fruta achada não teria valor algum também.

Outro ponto importante é que a teoria comumente ignora a diferença entre valor presente e valor futuro, como se fosse indiferente consumir um bem agora ou daqui a dez anos. O trabalhador deveria receber, segundo os seguidores de Rodbertus, o valor total do produto. Mas eles esquecem que o produto pode levar tempo para ser produzido, e o salário de agora tem que refletir esse custo de espera, sendo, portanto, menor que o valor futuro do bem.

Böhm-Bawerk diz sobre isso: “O que os socialistas desejam é, usando das palavras certas, que os trabalhadores recebam através do contrato de trabalho mais do que trabalharam, mais do que receberiam se fossem empresários, mais do que produzem para o empresário com quem firmaram contrato de trabalho”.

Partindo mais especificamente para a teoria marxista, acredita-se que o valor de toda mercadoria depende unicamente da quantidade de trabalho empregada em sua produção. Marx dá mais ênfase a esse princípio do que Rodbertus. Marx vai direto ao ponto em sua obra O Capital: “Como valores, todas as mercadorias são apenas medidas de tempo de trabalho cristalizado”.

No limite, uma fábrica de gelo construída no Alaska teria o mesmo valor que uma fábrica de gelo construída no mesmo tempo e pela mesma quantidade de trabalho no deserto do Saara. A teoria marxista de valor ignora totalmente o fator de subjetividade e utilidade do lado da demanda. Ela não leva em conta que o fato de trabalho árduo ter sido empreendido não é garantia de que o resultado terá valor pela ótica do consumidor.

Ou, ao contrário, ignora que muitas vezes pouco esforço ou trabalho pode gerar algo de muito valor para os outros, como no caso de uma idéia brilhante. Isso sem falar da diferença de produtividade entre as pessoas, pois é difícil imaginar quem diria que uma hora de trabalho de um grande artista é equivalente a uma hora de trabalho de um simples pintor de parede. Se fosse preciso a mesma quantidade de tempo para caçar um gambá fétido e um cervo, alguém diria que eles valem a mesma coisa?

Böhm-Bawerk demonstra os erros de metodologia de Marx em sua teoria. Na busca do fator “comum” que explicaria o valor de troca, Marx elimina todos os casos que não correspondem àquilo que ele pretende “provar”. O objetivo, desde o começo, é só colocar na peneira aquelas coisas trocáveis que têm a característica que ele finalmente deseja extrair como sendo a “característica comum”, deixando de fora todas as outras que não têm.

Böhm-Bawerk diz que ele faz isso como alguém que, “desejando ardentemente tirar da urna uma bola branca, por precaução coloca na urna apenas bolas brancas”. Excluir então os bens trocáveis que não sejam bens de trabalho seria um pecado mortal metodológico. Procedendo desta forma, ele poderia ter usado praticamente qualquer característica, concluindo talvez que o peso é o fator comum que explica o valor de troca. Böhm-Bawerk conclui: “Expresso minha admiração sincera pela habilidade com que Marx apresentou de maneira aceitável um processo tão errado, o que, sem dúvida, não o exime de ter sido inteiramente falso”.

Para Marx, a “mais-valia” seria uma conseqüência do fato de o capitalista fazer o trabalhador trabalhar para ele sem pagar uma parte do trabalho. Na primeira parte do dia, o trabalhador estaria trabalhando para sua subsistência, e a partir disso haveria um “superávit de trabalho”, onde ele seria explorado, trabalhando sem receber por isso.

Marx diz então: “Toda a mais-valia, seja qual for a forma em que vá se cristalizar mais tarde – lucro, juro, renda etc. – é, substancialmente, materialização de trabalho não pago”. Por esta estranha ótica marxista, um capitalista dono de uma barraca de pipoca que contrata um assistente é um explorador, enquanto um diretor assalariado contratado pelos acionistas de uma grande multinacional é um explorado.

Böhm-Bawerk não duvidava de que Marx estivesse sinceramente convencido de sua tese. Mas os motivos de sua convicção seriam, segundo o austríaco, diferentes daqueles apresentados em seus sistemas. Marx, diz ele, “acreditava na sua tese como um fanático acredita num dogma”. Jamais teria alimentado dúvida honesta pelo sistema, questionando de verdade a sua lógica e buscando contradições que derrubassem a teoria. Böhm-Bawerk diz: “Seu princípio tinha, para ele próprio, a solidez de um axioma”.

Afinal, um pouco mais de bom senso e escrutínio não deixaria pedra sobre pedra da teoria marxista de valor. Em primeiro lugar, todos os bens “raros” são excluídos do princípio do trabalho. Nem mesmo um marxista tentaria defender que um quadro de Picasso vale somente o tempo de trabalho. Em segundo lugar, todos os bens que não se produzem por trabalho comum, mas qualificado, são considerados exceção também.

Somente essa exceção já abrange quase todos os casos reais de trabalho, onde cada vez mais a divisão especializada leva ao aprimoramento do trabalho qualificado. No fundo, essas exceções “deixam para a lei do valor do trabalho apenas aqueles bens para cuja reprodução não há qualquer limite, e que nada exigem para sua criação além de trabalho”. E mesmo nesse campo restrito existirão exceções!

Logo, a tal “lei” marxista que tenta explicar o valor de troca de todos os bens não passa, na prática, de uma pequena exceção de alguma outra explicação qualquer. Essa “lei”, não custa lembrar, é um dos mais importantes alicerces das teorias marxistas. Ainda assim, os marxistas ignoram as “exceções” da teoria e defendem sua universalidade, negando a resposta quando se trata de troca de mercadorias isoladas, justamente onde uma teoria de valor se faz necessária. Para tanto, abusam de inúmeras falácias conhecidas, já que quando os fatos contrariam a teoria, preferem mudar os fatos.

Não obstante as gritantes falhas do pensamento marxista e sua teoria de valor, nenhuma outra doutrina influenciou tanto o pensamento e as emoções de tantas pessoas. Uma multidão encara o lucro como exploração do trabalho, o juro como trabalho não pago pelo parasita rentier etc. Para Böhm-Bawerk, a teoria marxista sobre juros conta com erros graves como “presunção, leviandade, pressa, dialética falseada, contradição interna e cegueira diante dos fatos reais”.

A razão para que tanto absurdo tenha conquistado tanta gente está, segundo Böhm-Bawerk, no fato de acreditarmos com muita facilidade naquilo em que desejamos acreditar. Uma teoria que vende conforto e promete um caminho fácil para reduzir a miséria, fruto apenas dessa “exploração”, conquista muitos adeptos.

Segundo Böhm-Bawerk, “as massas não buscam a reflexão crítica: simplesmente, seguem suas próprias emoções”. Acreditam na teoria porque a teoria lhes agrada. O economista conclui: “Acreditariam nela mesmo que sua fundamentação fosse ainda pior do que é”. continuar lendo

O fato de podermos ler e confrontar os estudos de Marx-Engels com as teorias liberais de Adam Smith mostra os opinadores do JusBrasil. Acrescentaria, se me permite a ousadia, que a teoria da mais valia tem seu lado pratico ou seja, não permitir a exploração de um capitalismo selvagem como tínhamos em 1867 e de ter uma forma mais explanada do Manifesto Comunista de 1848. No mais é um deleite, neste mundo de funks e sertanejos americanizados, ler os comentários de gente com conteúdo que posta neste Fórum. continuar lendo

A teoria ultra liberal austríaca é tão ultrapassada quanto a marxista. A diferença é quem cita Marx sabe disso!!!! Cita-se Marx fazendo um paralelo com a realidade contemporânea, já os defensores da economia austríaca (pouco encontrados na Europa e na própria Áustria, mas muito encontrados no Brasil) querem aplica-la tardiamente a qualquer custo, assim tentando beneficiar-se da mesma. A realidade das condições de trabalho brasileiras já são completamente adversas, num país como o Brasil, se a referida teoria (se ainda pudéssemos falar em sua aplicação em qualquer lugar no mundo) fosse adotada estaríamos seguramente assinando a volta do escravagismo. Como alguém pode reclamar das leis trabalhistas no Brasil, pedindo a aplicação de uma teoria ultra liberal? Com todas as proteções nossos ganhos totais ainda são infinitamente inferiores ao mínimo existencial exigido na maioria dos grandes países. É uma pena que esse tipo de teoria tenha tantos adeptos num país como o nosso, onde cada um quer pegar um pouquinho mais. continuar lendo

Discordo. A teoria Marxista encanta tanta gente porque essa gente é a massa operária que, indubitavelmente é a maioria. Marx é o mais próximo da realidade operária. Dizer que suas teorias são levianas somente porque é a única que se sensibiliza com as explorações do capitalismo não faz das teorias liberais as soluções de todos os problemas. E questiono: se as teorias liberais seriam tão boas assim para o operário, por que não tem adeptos da classe trabalhadora? Acredito que só por uma razão: os seus adeptos geralmente não fazem parte dessa classe. Digo mais, aos que não reconhecem a existência exploração do trabalho, mesmo com a proteção da CLT, desafio a cumprir uma jornada de um telemarketing, de um servente de pedreiro, de um atendente de loja, de um vigilante noturno, de uma doméstica, de uma faxineira etc. Se é tão bom mesmo como dizem, não haveria problemas em continuar sendo operário. O opressor conhece a exploração a partir da sua visão, o oprimido a sente. continuar lendo

Caro Wagner Francesco, esta foi mais uma de suas excelentes publicações que sempre contam com muita objetividade, clareza e fluidez, além de uma grande carga histórica e filosófica...
Realmente, o trabalho na medida que a maioria dos empresários impõe aos seus funcionários acaba sendo um martírio para eles e dessa forma não há prazer para o trabalhador. Talvez esse seja um dos motivos de termos tantas fraudes na Previdência Social, seguro desemprego, além de inúmeras ações na justiça do trabalho, haja vista que as relações de trabalho se tornaram polarizadas por trabalhadores e patrões, quando deveriam ser harmônicas proporcionando uma melhora na qualidade de vida dos cidadãos e também uma melhor produtividade para o país. continuar lendo

Valeu, JP. o/
É isto aí mesmo que você falou. E imagine se o Estado fosse mínimo nestas relações trabalhistas...

Um forte abraço! continuar lendo