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26 de Setembro de 2017

O que é a religião?

Um debate teológico sobre uma (má) decisão jurídica.

Wagner Francesco ⚖, Estudante de Direito
Publicado por Wagner Francesco ⚖
há 3 anos

Causou polêmica a decisão de um juiz do Rio de Janeiro que indicava que "o candomblé e a Umbanda não são religiões". O principal argumento do magistrado caminha no sentido de que "somente quem tem um livro central é religião." Tal ideia, no entanto, é de uma ignorância gritante que afronta a Constituição Federal, Art. , VI, e todo um conjunto de conhecimentos na área das Ciências Sociais.

A religião africana, Candomblé e Umbanda, está estabelecida principalmente na oralidade, na transmissão dos conhecimentos dos mais antigos para os mais novos. Nem o cristianismo nasceu com um livro central - muito pelo contrário: os ensinamentos de Jesus eram passados de boca em boca, em roda de conversas, em reuniões familiares. A formação do cânone demorou muito tempo, estimado em 1500 anos.

O que caracteriza uma religião não é um livro central, mas, segundo Mircea Eliade no livro "O sagrado e o profano", "a percepção de uma realidade inteiramente diferente das realidades"naturais". Também poderíamos usar a concepção do teólogo e filósofo Schleiermacher quando, em seu livro “Sobre a religião”, disse que

A religião não é ciência, tão pouco moralidade. Sua sede não está na razão (dogmatismo – limitação a textos centrais). E considerando que a religião é contato com o divino (perceba: ele falou divino e não Deus, um Deus...), sua sede só pode estar no sentimento.

Que sentimento? Eliade diz: no sentimento de pavor diante do sagrado, diante desse mysterium tremendum, dessa majestade que exala uma superioridade esmagadora de poder.

Faltou ao nobre magistrado um pouco de entendimento sobre Sociologia das Religiões, o que deixa demonstrado que decisões jurídicas não podem andar desconexas de outros saberes, sob pena de que o magistrado, por falta de conhecimento, deixe prevalecer suas opiniões e não uma sentença justa, baseada em análise profunda do assunto.

62 Comentários

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O que está acontecendo em nosso país é uma guerra disfarçada de ideologias (interesses pessoais) religiosas. Acompanho há tempos o desenvolvimento religioso no Brasil. Por mais que se diga que o Brasil sempre seguiu a Bíblia, na verdade já havia pessoas (católicas e evangélicas) a frequentarem os ritos nos terreiros, principalmente para pedir dinheiro, posição social. Quando a barganha com Deus falhava, muitos, que perseguiam as religiões afro-brasileiras, não perdiam tempo em procurar os terreiros de candomblé e de umbanda. Afinal, qual o problema de pedir um simples "donativo" aos "deuses" quando não se faz mal a ninguém? As Igrejas evangélicas, antes de 1988, eram tímidas em suas pregações, pois ainda havia forte presença da Igreja Católica. Com a Constituição Federal de 1988, as igrejas evangélicas, os cultos e adeptos proliferaram em todos os cantos do país. No início, as mulheres vestiam roupas compridas, os homens só de calça e manga cumprida. Lembro-me que muitas das igrejas evangélicas condenavam certos rituais e até misturas com outras religiões. Atualmente é possível ver chamamentos de adeptos de outras religiões como meio de se criar fraternidade; objetos, até então condenados, por serem símbolos que lembravam adoração ao "bezerro de ouro", não mais não condenados. Existe uma verdade, as igrejas católicas e evangélicas tentam se adaptar aos novos tempos, principalmente diante da CF/1988. Já as religiões afro-brasileiras não mudaram muito, pois sempre aceitaram em seus terreiros quaisquer pessoas, indiferentemente, de religião. Atualmente há uma bancada muito forte no Congresso Nacional, que tentam forçar condutas, barras projetos que achem indevidos (incompatíveis com suas ideologias). Mas graças a CF/1988, pouco se tem conseguido. Se não fosse a CF/1988, o Brasil estaria retornando no tempo, a Idade Média. Lutero se envergonharia diante da promessa de enriquecimento, que muitas igrejas católicas prometem aos seus adeptos. As mensagens, na grande maioria, é de que Deus é um banco 24 horas por dia, onde é só pedir que ele dá. O atrair, na maioria das vezes, é pela possibilidade de se aumentarem os lucros, de ascender socialmente. Não são todas as igrejas evangélicas, mas tenho observado muito isso. A decisão do juiz é uma demonstração de que o Brasil tem que evoluir muito ao respeito a todas as formas de culto. continuar lendo

O comentário foi melhor que a minha postagem. Rs rs rs rs
Parabéns!! É isto aí mesmo. E por falar em Lutero, precisamos de uma nova reforma e novamente pregar contra as indulgências - hoje chamada de dízimo. continuar lendo

Será que são apenas as "igrejas católicas" e evangélicas que podem ser criticadas? continuar lendo

KLEBER SOBRINHO (professor e advogado) – São Luís/MA – responde aos comentários de Sérgio Henrique: Meu caro comentarista, o seu comentário está excelente, magnífico. Você discerniu muito bem sobre a expansão das religiões, principalmente as evangélicas. Na verdade, as religiões evangélicas, principalmente as neopentecostais, saíram do seu ostracismo para enveredar na opulência de suas pregações. Você, prezado Sérgio Henrique, cometeu apenas um equívoco, quando diz que as igrejas católicas prometem enriquecimento aos seus adeptos. Não existem “igrejas católicas”. O catolicismo é uma só unidade. Quem na verdade promete enriquecimento fácil aos seus fiéis são algumas igrejas evangélicas, cujos pastores se aproveitam da ingenuidade das pessoas para prometerem o que não podem dar. No mais, os seu comentário está excelente. continuar lendo

"Brasil tem que evoluir". Bom, de cara, não existe Brasil, existe um território demarcado por políticos ou militares. Então, o Brasil não pode evoluir, pois, não é um ente concreto capaz disso. Você quis dizer que o sistema social tem que evoluir, a sociedade. É possível transformar uma laranja podre em uma laranja madura? Remendando e consertando o barco furado, ficam os legisladores erguendo uma construção tipo torre de babel, como se uma lei fosse capaz de aprisionar uma pessoa. Leis são letras escritas, conjunto de normas que se destinam a tornar mais harmonioso o convívio entre as pessoas. Se tenta amansar pessoas cruéis e violentas, para que se comportem. Você acha que leis resolvem quando não há amor e respeito? continuar lendo

Voce disse tudo irmão! Estamos transformando o Brasil em grupos tribais. O estado está legislando para grupos ao invés da coletividade continuar lendo

Com todo respeito, Wagner... Não menospreze a Soberania do Verdadeiro Deus Jeová... Que é único. A Bíblia fala que existem muitos deuses, mas Verdadeiro um só: Jeová. Bastava, no seu texto, ter argumentado que cada pessoa tem direito a expressar suas crenças... E merece o respeito dos demais! continuar lendo

Mirian Marques, respeito sua opinião, creio que deva ser especialista na sua denominação religiosa, contudo, geralmente os monoteístas seja cristãos, muçulmanos, entre outros, acreditam no mesmo Deus, seja ele Jave, Jeová, Alá, contudo, cada religião vive sua fé de acordo com sua doutrina.
Por exemplo os cristãos protestantes dizem que o nome de Deus é Jeová.
Jeová é o nome de Deus, em sua forma aportuguesada, com perda sintáctica da letra h (i.e., pois provém de Jehovah), do hebraico יְהֹוָה, uma vocalização do Tetragrammaton ("Tetragrama") יהוה (YHWH), o nome próprio do Deus de Israel na Bíblia hebraica

Os católicos dizem que é Javé.
A palavra 'Javé' (Yahweh) é uma convenção acadêmica moderna para o hebraico יהוה, transcrito em letras romanas como YHWH, e conhecido como o Tetragrama, cuja pronúncia original é desconhecida. O significado mais provável de seu nome seria "aquele que traz à existência tudo que existe", porém existem diversas teorias e nenhuma é tida como conclusiva.

Já os Mulçumanos dizem que Deus é Ala.
Alá ou Allah (em árabe: Loudspeaker.svg? الله, transl. Allāh, AFI: [ʔalˤːɑːh]) é a palavra utilizada no árabe para designar Deus. Embora o termo seja mais conhecido no Ocidente devido ao seu uso pelos muçulmanos, é utilizada pelos falantes do árabe de todas as fés abraâmicas, incluindo judeus e cristãos, para se referir à mesma divindade monoteística

Todos religiosos Cristãos ou não de alguma forma buscam voltar ao Deus Todo poderoso, ou buscam a elevação a perfeição para voltar a Deus seja de uma forma ou de outra.

Em um pais Laico é necessário que se respeite todas as religiões, inclusive as Umbanda, Candomblé, espiritismo etc.

É necessário conhecer todas as religiões de forma profunda antes de fazer qualquer critica. continuar lendo

Sérgio, agradeço a sua atenção. Mas, não sou especialista não. Mono ou politeísta, as pessoas precisam ser respeitadas, mas, muito antes, respeitar. Sabe por quê? O fato do Brasil ser um estado laico não garante ao Gigante ser imune a divergências de opiniões sobre religião, futebol ou outra coisa... Garante ser ou tentar ser "nulo" a tudo que não interfira no poder político e/ou administrativo. continuar lendo

A única coisa que sou contra é à imunidade tributária, se todas as religiões pagassem seus tributos igualitariamente qual seria o problema? Estariam apenas contribuindo para a sociedade que estão inseridas. Não consigo enxergar a explicação lógica para isso. continuar lendo

Na verdade Sergio Oliveira os segmentos religiosos não devem sofrer críticas, mas simplesmente respeito. A apologia da fé deve ser feita de modo tal que convença o contradizente e não o ataque por sua escolha de fé. continuar lendo

Gilberto Abreu, perfeito, geralmente todas as doutrinas monoteístas, querem chegar no mesmo lugar, ao Deus criador do Céus e da Terra, na minha opinião pessoal, o que nos uni é muito maior do que nos separa, viver á fé em um Deus onipotente e praticar seus mandamentos seja em que doutrina for.
Sou formado em Teologia e conheço quase todos os segmentos religiosos, mas não só na teoria, tive a oportunidade de conhecer vários segmentos na prática.
Posso afirmar que a intenção de todos os segmentos que tive a oportunidade de conhecer querem voltar a Deus ou serem salvos por ele, através de suas doutrina. continuar lendo

Religião é RELIGIÃO e ponto. Somos livres para escolhe-la, graças a CF/88. continuar lendo